Rede antidrone passiva: o que é, como trava um drone e o que não consegue fazer
Uma rede antidrone passiva é uma barreira de poliamida com nó que trava um drone ao enredar-se nas hélices, sem emitir nem consumir energia. Protege só o que cobre: complementa a deteção e as contramedidas, não as substitui.

Uma rede antidrone passiva é uma barreira física de fibra têxtil, normalmente poliamida com nó, que trava um drone pequeno ao enredar-se nas suas hélices, sem emitir qualquer sinal. Não precisa de deteção, energia nem licença de espectro e protege 24 horas por dia aquilo que cobre, mas só aquilo que cobre. Por isso, usa-se como camada física de proteção contra drones que complementa a deteção e a inibição, e não como substituta.
Em resumo
- O que é: um pano de rede estendido sobre postes, cabos ou estrutura, que fecha a passagem a um drone por cima ou pelos lados de um ativo.
- Em que difere: o lança-redes e o inibidor atuam contra um aparelho já detetado; a rede fixa atua sozinha, sem operador, mas apenas na superfície que cobre.
- O que pedir: a referência completa (fio, abertura de malha e profundidade), o comprimento do pano, a cor e o prazo.
O que é uma rede antidrone passiva?
Uma rede antidrone passiva é um pano de rede fixo, sem eletrónica, que se interpõe entre o drone e aquilo que se quer proteger. «Passiva» significa que a rede não emite, não deteta e não decide: está montada de forma permanente e só atua se um aparelho entrar nela.
As redes antidrone da Tunanets distribuídas pela AHCEBRIAN S.L. são de poliamida N6 (Nylon 6) com nó. O fio é de 210 denier (o título de cada cabo: gramas por cada 9000 m de fio) torcido em 6 a 21 cabos. O catálogo de fábrica tem 17 referências em produção, com abertura de malha de 20 a 300 mm e profundidades de 26 a 100 malhas. Todas são fornecidas em panos de 200 m de comprimento esticado, em branco, caqui ou castanho-claro (tan), consoante a estação.
A Tunanets fabrica em Yozgat (Turquia) e soma mais de quatro anos de fornecimento contínuo a zonas de conflito ativo na Europa de Leste. A AHCEBRIAN distribui a gama na Europa e dimensiona a encomenda com o cliente.
Como funciona uma rede antidrone para travar um drone?
A rede trava o drone por meios mecânicos. Quando o aparelho entra no pano, a malha absorve a energia do impacto e enreda-se nas hélices e no trem de aterragem. Um multirrotor cujas hélices deixam de rodar perde sustentação, e o aparelho cai retido na rede ou fora da zona protegida.
Como não atua sobre o sinal, a rede funciona da mesma forma com qualquer sistema de guiamento. Um aparelho guiado por fibra ótica não depende de uma ligação de rádio, pelo que um inibidor não o afeta. A navegação autónoma dispensa a ligação ao piloto, embora possa depender do GNSS, que pode ser inibido. A barreira física não depende de nenhum desses sinais.
A malha escolhe-se pelo tamanho do aparelho. O catálogo da Tunanets agrupa as suas referências em três intervalos orientativos:
- Malha fina, 20 a 45 mm: aparelhos pequenos do tipo FPV (drones de voo na primeira pessoa). É a malha mais fechada do catálogo.
- Malha média, 70 a 100 mm: multirrotores de maior dimensão e asa fixa ligeira.
- Malha ampla, 150 a 300 mm: grandes superfícies e camadas exteriores, com menos peso e menos carga de vento sobre a estrutura.
São intervalos de partida, não uma garantia. Um artigo do Modern War Institute de West Point (W. Mayne, 29 de abril de 2026) assinala que ainda falta um guia normalizado que indique que rede convém a cada grupo de drone.
Rede fixa, lança-redes e inibidor: em que diferem?
As três contramedidas aparecem muitas vezes juntas porque duas delas usam uma rede, mas funcionam de forma oposta. O lança-redes projeta uma rede contra um drone concreto que alguém detetou e apontou. O inibidor emite radiofrequência para cortar a ligação entre o drone e o seu piloto. A rede fixa não faz nada até o aparelho chegar a ela.
Atributo | Rede fixa passiva | Lança-redes | Inibidor |
|---|---|---|---|
Quando atua | Sempre, quando o drone entra no pano | Quando um operador dispara contra um drone concreto | Enquanto está a emitir |
Precisa de deteção prévia | Não | Sim | Sim, ou emissão contínua |
Precisa de operador ou energia | Não | Operador | Energia e, em geral, operador |
O que cobre | Apenas a superfície estendida | Um aparelho de cada vez | Drones que dependem de uma ligação de rádio |
Autorizações | Nenhuma de espectro; as de obra ou instalação aplicáveis | Consoante o dispositivo e o país | Sujeito ao regime legal do espectro de cada país |
Ponto fraco | Não protege fora do que cobre | Depende de detetar e apontar a tempo | Sem efeito sobre guiamento por fibra; perante navegação autónoma, só se inibir o GNSS |
A tabela não ordena as três da melhor para a pior. Cada uma cobre uma lacuna diferente. Por isso, o guia da JIATF-401 e o artigo do Modern War Institute apresentam-nas combinadas.
Onde se instala: cobertura, cortina ou gaiola?
Uma rede antidrone instala-se numa de três configurações, consoante o caminho por onde o aparelho pode chegar:
- Cobertura superior: um pano horizontal sobre o ativo, para as aproximações na vertical ou em picada, que o muro perimetral não corta.
- Cortina vertical: panos sobre postes que fecham as aproximações a baixa altitude por um dos lados.
- Gaiola: cobertura e cortinas unidas, que fecham o volume completo em torno de um equipamento ou edifício.
- Rede de poliamida com nó
- Abertura de malha
- Cabo perimetral
- Poste de aço
- Ancoragem ao solo
- Fachada do edifício ou ativo protegido
A montagem habitual é sobre postes ou estrutura ligeira com cabo tensor. Os panos sobrepõem-se e cosem-se entre si, pelo que um troço danificado se substitui sem desmontar o resto. A AHCEBRIAN não fornece a montagem: entrega o pano e a assistência técnica para o dimensionar.
O guia de proteção física de infraestruturas críticas da JIATF-401 é do Departamento de Defesa dos EUA (30 de janeiro de 2026). Organiza a defesa em três eixos: reforçar, ocultar e perímetro. Reforçar inclui redes superiores ou cabos tensionados sobre os acessos. Segundo o guia, estas medidas físicas complementam os sistemas antidrone especializados, não os substituem.
O que não consegue fazer uma rede antidrone?
Uma rede antidrone não protege nada que fique fora do pano. Se um dos lados ficar aberto ou a cobertura não chegar até ao limite, o aparelho pode entrar por aí. Por isso, o projeto começa pelas direções de aproximação, e não pelo metro quadrado.
Também não serve qualquer malha contra qualquer aparelho. Uma malha demasiado aberta deixa passar um drone pequeno, e uma demasiado fechada acrescenta peso e carga de vento que a estrutura tem de suportar. Essa carga é definida pelo projeto de montagem, não pela rede.
A rede também não faz deteção nem identificação. E, ao ar livre, o pano envelhece: convém prever inspeções e a substituição por troços, e pedir ao fabricante os dados de resistência da referência escolhida.
A nossa posição: não recomendamos uma rede como medida única. É uma camada física que complementa a deteção e as contramedidas eletrónicas; não as substitui.
Como contexto do quadro europeu, o plano de ação da Comissão Europeia sobre a segurança dos drones e a defesa antidrone (COM(2026) 81, de 11 de fevereiro de 2026) previa orientações não vinculativas para entidades críticas, com indicações específicas face a drones. A Comissão adotou-as a 10 de julho de 2026. O plano inclui ainda uma recomendação sobre requisitos voluntários de desempenho para sistemas antidrone, com adoção prevista para o quarto trimestre de 2026.
Que dados pedir ao fabricante?
Peça sempre a referência completa, porque resume três dos dados que importam. Na nomenclatura da Tunanets, 9-70-64 significa fio 210/9 (9 cabos de 210 denier), malha de 70 mm e 64 malhas de profundidade. A queda orientativa do pano esticado é a malha multiplicada pelo número de malhas: 70 mm × 64 = 4,48 m. O valor real depende da tensão e das ferragens.
Com a referência definida, complete o pedido de informação com estes dados:
- Material e construção: poliamida N6 com nó em toda a gama atual. A Tunanets trabalha numa linha de HMPE (polietileno de alto módulo) a pedido de clientes, ainda sem data.
- Abertura de malha: escolhida pelo tamanho do aparelho; a espessura do fio, pela carga e pela vida útil esperada.
- Comprimento do pano: 200 m esticados em todas as referências, o que determina quantos panos e costuras a instalação exige.
- Cor: branco, caqui ou castanho-claro (tan), consoante a estação.
- Prazo: de 3 a 4 semanas no total, com 2 a 3 semanas de fabrico em Yozgat e 5 a 7 dias de camião até à Península Ibérica, com saídas semanais.
Se nos descrever a instalação (superfície, estrutura disponível e tipo de aparelho), propomos-lhe a referência e a malha e enviamos-lhe a ficha técnica. Pode consultar as 17 referências no catálogo técnico de redes antidrone.
O que fazer agora
- Desenhe por onde pode um aparelho chegar ao seu ativo: por cima, por um dos lados ou por ambos. Isso decide entre cobertura, cortina ou gaiola.
- Meça a superfície a cobrir e registe que estrutura já existe para fixar postes e cabos.
- Defina o tamanho do aparelho que o preocupa, para se situar em malha fina, média ou ampla.
- Verifique que deteção e que contramedidas já tem, para que a rede feche uma lacuna concreta e não duplique outra.
- Peça ao fabricante a referência completa, o comprimento do pano, a cor e o prazo, e compare as propostas com esses mesmos dados.


