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Materiais de placas e capacetes balísticos: o que implica cada um na compra

A cerâmica destrói a ponta do projétil sobre um suporte de fibra; o UHMWPE é umas quatro vezes menos denso que a alumina e tolera mal o calor. O que implica cada material no uso e no armazenamento e porque o caderno de encargos deve pedir nível, norma e tipo.

11 min de leitura
Placa balística com capa preta, placa branca de polietileno prensado com o laminado à vista e folhas de tecido UD num laboratório

Uma placa balística de cerâmica destrói a ponta do projétil sobre um suporte de fibra. A placa balística UHMWPE (polietileno de ultra-alto peso molecular) é umas quatro vezes menos densa que a cerâmica de alumina e tolera mal o calor. Também há placas de aramida. Os capacetes de compósito fabricam-se em fibra de vidro, UHMWPE ou aramida, nunca em cerâmica. O caderno de encargos deve pedir nível, norma e tipo (autónoma ou ICW) e o material só com motivo.

Em resumo

  • O material é uma consequência, não o requisito: o nível, a norma e o tipo de placa definem o que se compra; o material só se fixa com motivo e sempre com «ou equivalente».
  • Cada material traz as suas condições de utilização: a cerâmica exige inspeção após pancadas e quedas; o UHMWPE, armazenamento longe do calor, porque funde por volta dos 130 °C e envelhece com temperaturas elevadas prolongadas.
  • Uma placa ICW compra-se com o seu colete: a NIJ 0101.07 só lhe reconhece o nível quando emparelhada com um modelo concreto de proteção flexível. As placas stand alone (autónomas) não têm essa dependência.

De que é feita uma placa balística?

Uma placa balística é uma peça rígida que se introduz no colete ou no porta-placas para proteger o tronco. A norma norte-americana NIJ 0101.07 (2023) chama-lhe proteção rígida. Fabrica-se em cerâmica sobre um suporte de fibra, em polietileno prensado ou em aramida. As placas balísticas da Garanti Kompozit, o fabricante turco que a AHCEBRIAN representa comercialmente, são de cerâmica com suporte ou de polietileno prensado.

  • Cerâmica com suporte. Uma face de impacto de alumina, carboneto de silício (SiC) ou carboneto de boro (B4C), colada a um suporte de fibra. Segundo Chen et al. (Materials, 2022), a cerâmica destrói a ponta do projétil, trava-o e distribui a carga pelo suporte. O suporte segura a cerâmica partida e trava o projétil ao deformar-se.
  • Polietileno prensado. Camadas de tecido UD de UHMWPE cruzadas a 0° e 90°, impregnadas de resina e prensadas a quente; no estudo de Chen, com 0,97 g/cm³. Não há face dura: o laminado absorve a energia ao deformar-se.
  • Aramida. Fibra sintética em tecido ou compósito (Kevlar é uma marca comercial). Alkhatib et al. (Polymers, 2021) ensaiam placas feitas inteiramente de compósito de aramida. Chen et al. (Scientific Reports, 2024) incluem-na, sob a forma de compósito, entre os materiais de suporte, com 1,4 g/cm³. Na gama da Garanti Kompozit aparece em capacetes, não em placas.

Atributo

Alumina

Carboneto de silício

Carboneto de boro

UHMWPE prensado

Compósito de aramida

Densidade (g/cm³)

3,78-3,91, consoante a pureza

3,0-3,2

2,46-2,52

0,97

1,4

O que faz

Face de impacto

Face de impacto

Face de impacto

Suporte, placa completa ou capacete

Placa, suporte ou capacete

O que a distingue

A mais densa e a mais barata das três cerâmicas

Meio-termo em dureza, densidade e custo

A mais dura e mais leve, e a mais cara

A menos densa da tabela

Densidade intermédia entre o UHMWPE e a cerâmica

O que vigiar

Fragilidade: inspeção após pancadas e quedas

Fragilidade: inspeção após pancadas e quedas

Fragilidade: inspeção após pancadas e quedas

O calor: funde por volta dos 130 °C e envelhece mais cedo

O peso: mais densa do que o UHMWPE

Fonte

Medvedovski e Travitzky, 2025

Zhambakin et al., 2026

Kuliiev et al., 2020

Chen et al., 2022 e 2024; Liang et al., 2021

Chen et al., 2024; Alkhatib et al., 2021; Liang et al., 2021

A comparação de dureza e custo das cerâmicas é de Chen et al. (2024). A densidade do material não é a da placa: a massa da placa depende do suporte, da capa e da espessura que o nível exija. A tabela serve para perceber a espessura e o peso relativos, não para escolher um nível.

O que é o tecido UD e porque está em coletes, placas e capacetes?

O tecido UD (unidirecional) é uma folha em que todas as fibras correm paralelas, sem trama. Cada folha trabalha numa só direção. Por isso, as folhas empilham-se cruzadas a 0° e 90° e unem-se com resina, calor e pressão (Yi et al., Polymers, 2024, com matriz de poliuretano).

Folhas brancas de tecido UD de polietileno empilhadas junto a um rolo do mesmo tecido, sobre uma mesa de corte

A Garanti Kompozit produz o seu próprio tecido UD de polietileno numa fábrica integrada em Yozgat. Segundo o seu catálogo de 2026, produ-lo de 110 a 160 g/m², em versões para blindagem flexível e rígida. É a matéria-prima comum dos seus coletes, placas, escudos e capacetes, e da sua blindagem de veículos e aeronaves. É ensaiado no seu próprio laboratório balístico. Fabrica-o para os seus próprios produtos; se um projeto precisar de tecido UD, a disponibilidade é analisada em cada consulta, sujeita às autorizações aplicáveis.

Para quem compra placas, isto responde a uma pergunta do processo: quem produz a fibra e onde. A ficha de materiais da norma de 2017 do Home Office britânico pede esse dado, produtor e localização, para cada elemento de fibra prensada. Pede também o tex do fio (gramas por 1000 m), o número de camadas e os adesivos. Um fabricante que produz o seu próprio UD declara esses dados em primeira mão.

Placa balística de cerâmica ou UHMWPE: o que muda na utilização e no armazenamento?

Mudam três coisas: a espessura, o que é preciso verificar depois de uma pancada e a temperatura que a placa aguenta no armazém.

Espessura

Com a mesma massa por unidade de superfície, o material menos denso ocupa mais espessura. O UHMWPE é cerca de quatro vezes menos denso do que a alumina e cerca de 2,5 vezes menos do que o carboneto de boro. Por isso, uma placa só de polietileno costuma ser mais espessa. De quanta massa precisa cada construção para um nível concreto, só o diz o relatório de ensaio do modelo.

Pancadas, quedas e inspeção

A cerâmica é dura e frágil, e nem todos os seus danos se veem. Chen et al. (2022) indicam, entre os danos das placas de cerâmica com suporte, a rotura da cerâmica, a delaminação entre camadas e outros invisíveis, como microfissuras. A NIJ 0101.07 exige que as placas cheguem ao ensaio sem fissuras, lascas nem variações de espessura, e submete-as a um condicionamento de durabilidade ao impacto (ASTM E3078/E3078M-23).

O guia 039/17 do Home Office recomenda inspecionar a proteção, no máximo, de 12 em 12 meses, verificá-la após qualquer pancada e substituí-la sempre após um impacto balístico ou de arma branca. Para placas de cerâmica, recomendamos perguntar ao fabricante, antes de adjudicar, como se verifica uma placa depois de uma queda e com que critério se retira de serviço.

Temperatura

O UHMWPE é um termoplástico: a tabela de Chen et al. (2024) situa a sua fusão nos 130 °C. Muito antes de fundir, o calor envelhece-o. Um estudo do NIST (Tsinas et al., Polymers, 2022) envelheceu fibras de UHMWPE entre 43 e 115 °C e observou rotura de cadeias, mais acentuada quanto mais alta a temperatura. Em laminados UD, Yi et al. (2024) mediram que o limite de elasticidade e a rigidez (módulo) diminuem quando a temperatura sobe entre −20 e 80 °C.

A norma de 2017 do Home Office prevê um ensaio opcional que pré-condiciona os painéis durante 24 horas a +50 °C ou a −20 °C. Assim simula que a proteção foi guardada nessas condições antes de ser usada. Se a proteção for aprovada, o certificado e a etiqueta indicam-no. O guia 039/17 pede que seja guardada longe da luz solar direta, de fontes de calor e de humidade excessiva.

A nossa posição: se as placas vão passar tempo em veículos, guaritas ou armazéns sem climatização, não peça «cerâmica» nem «polietileno». Peça um ensaio após condicioná-las à temperatura prevista.

Placa stand alone ou ICW: porque importa mais do que o material?

Porque decide o que se compra: uma placa isolada ou um sistema de placa e colete. A NIJ 0101.07 distingue proteção flexível, proteção rígida autónoma (stand alone) e proteção rígida ICW (in conjunction with, «em conjunto com»). A placa ICW só proporciona o nível declarado quando emparelhada com um modelo concreto de proteção flexível; para a certificar, esse colete tem de constar da lista de produtos conformes da 0101.07 (secções 1.3 e 10.1). A norma do Home Office também avalia as placas isoladas ou em conjunto com um painel flexível certificado.

Na prática, uma placa autónoma pode ser usada noutro porta-placas. Uma placa ICW comprada sem o seu colete, ou colocada noutro, perde a base da proteção que o seu relatório declara. Duas placas do mesmo material podem exigir compras diferentes.

Um exemplo de gama real: as placas GRPB da Garanti Kompozit são de cerâmica ou de UHMWPE, autónomas ou ICW; as ICW foram pensadas para usar com o colete flexível do próprio fabricante. Fabricam-se ortopédicas ou ligeiras, de curvatura simples, dupla ou múltipla, e cada lote é verificado segundo o plano de qualidade antes de sair da fábrica. O nível de cada modelo é fornecido a pedido.

Vista explodida de uma placa compósita: capa, face cerâmica, suporte de camadas UD cruzadas e painel flexível do colete atrás
  1. Capa exterior.
  2. Face de impacto cerâmica.
  3. Suporte de camadas UD prensadas.
  4. Painel flexível do colete atrás (caso ICW).
  5. Pormenor do suporte: folhas de fibras retas e paralelas, sem tecer, cruzadas a 0° e 90°.

A curvatura também conta. A NIJ 0101.07 exige um disparo na coroa das placas curvas, o ponto mais alto da face de impacto, onde as curvaturas se cruzam. O fornecedor deve entregar um desenho cotado que a localize. O NIJ justifica-o porque aí os materiais ou o método de fabrico podem tornar a placa mais vulnerável.

De que se fabricam os capacetes balísticos e quando fixar o material?

Um capacete balístico de compósito fabrica-se em fibra de vidro, UHMWPE ou aramida, sozinhos ou combinados; os capacetes não levam cerâmica. Salvo motivo concreto, o caderno de encargos não deveria fixar o material. A revisão de Liang et al. (Applied Composite Materials, 2021) classifica os capacetes balísticos atuais, pelo material, em três tipos: de UHMWPE, de aramida e híbridos, que combinam ambas as fibras ou outras. O estudo do NIST citado lembra que muitos painéis flexíveis, placas e capacetes dependem da fibra de UHMWPE. As precauções de temperatura valem também para um capacete de polietileno.

A Garanti Kompozit fabrica capacetes PASGT, MICH, ACH e ECH em UHMWPE, aramida ou híbridos. A sua gama ACH mostra como se responde a um caderno de encargos que fixa o material. O ACH standard tem calota de UHMWPE. O ACH de aramida mantém a mesma geometria e os mesmos acessórios, para os cadernos de encargos que pedem esse material. O capacete GG-BRH contra espingarda, da mesma família, é de UHMWPE. Níveis, pesos e relatórios pedem-se a partir da página de capacetes balísticos da Garanti Kompozit.

Se o seu caderno de encargos fixa a aramida, convém saber porquê. Há motivos defensáveis: um requisito de temperatura que o UHMWPE não comprove em ensaio, ou a continuidade com capacetes e acessórios já em serviço. Se o motivo for apenas o hábito, fixar o material reduz a concorrência sem melhorar a especificação.

Como se escreve o material num caderno de encargos?

Pedindo desempenho e documentação, e fixando o material só quando um motivo o justifique. É a nossa posição, enquanto representantes de um fabricante que oferece placas de cerâmica e de polietileno:

  1. Nível e norma. O nível exigido, a norma com a sua edição e as suas adendas, sempre com «ou equivalente».
  2. Tipo de placa. Autónoma, ou ICW com o modelo de colete flexível com que foi certificada, que passa então a fazer parte do fornecimento.
  3. Ficha de materiais. Os dados do anexo B da norma do Home Office de 2017 para cada elemento cerâmico ou de fibra prensada.
  4. Condições de utilização. Temperatura de armazenamento, peso máximo por placa, curvatura e tamanhos.
  5. Material, só com motivo. Que o motivo conste do caderno de encargos e que o requisito se possa verificar com um ensaio.

Dois exemplos de redação:

«Placa rígida autónoma de nível (nível exigido) segundo (norma, edição e adendas) ou equivalente, comprovado por relatório de um laboratório acreditado segundo a ISO/IEC 17025, na sua edição em vigor, ou equivalente. O concorrente apresentará uma ficha de materiais: tipo, espessura, densidade e dureza Vickers de cada elemento cerâmico; número de camadas, adesivos e produtor de cada elemento de fibra prensada.»

«As placas manterão o nível exigido após um pré-condicionamento de 24 horas a +50 °C, conforme o ponto 9.2.2 da Home Office Body Armour Standard (2017), ou ensaio equivalente.»

A segunda cláusula pede o comportamento com calor em vez de um material: deixa concorrer qualquer material e obriga a demonstrá-lo. Um último aviso: a classificação de cada placa, capacete ou tecido para efeitos de controlo de exportação faz-se produto a produto com a autoridade competente.

O que pedir ao fabricante antes de adjudicar

  1. Que nível, norma e edição tem cada modelo? Com o respetivo relatório de ensaio e, se a norma for NIJ, a sua situação na lista de produtos conformes.
  2. É autónoma ou ICW? Se for ICW, com que modelo exato de colete, e se este está incluído na proposta.
  3. Entrega a ficha de materiais? Com produtor e localização da cerâmica e da fibra.
  4. Entre que temperaturas se armazena e se utiliza? E que ensaio o comprova.
  5. Como se inspeciona em serviço? Periodicidade, método após uma queda, critério de retirada e controlo por lote.

Se está a preparar um caderno de encargos ou a comparar propostas, pode pedir à AHCEBRIAN a ficha técnica dos coletes e placas da Garanti Kompozit. Diga-nos que organismo ou empresa representa, para que utilização e em que quantidades. Enviamos-lhe níveis, normas de ensaio e relatórios depois de identificada a operação e verificadas as autorizações que exija.

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